Domingo, 8 de Janeiro de 2006

a Fruta e a POESIA.....................

V3023035.jpg



Morango


Roça nos lábios
tua polpa macia
Beijo vermelho
Liberta meu desejo


Vem...
e me sacia...


Morango
(ou qualquer que seja o teu nome)
carne saborosa
paladar vigoroso
quero aplacar minha fome
deleitar-me
do teu sabor prazeiroso


Marca teu gosto
rola na boca
enrosca na língua
remodela tua forma
em busca da minha


O doce dessa carne viva
o licor que a boca suga
Deixa que a avidez enxuga
o coquetel da fruta e da saliva


Mas antes que eu descubra
o prazer delicioso
na tua cor rubra
o néctar do gozo
escapa da mordida
de dentes famintos
excede tua pele sensível
explode quase inesperadamente
murcha suave e lentamente
fluindo com lascívia
deixando com malícia
o sumo que pelo queixo escorre...


CerejasF0003703.jpg




Bebo
o licor
na tua boca
Bebes
o licor
no meu umbigo



Mais que fantasia...
passamos horas
nessa brincadeira louca
Delírios do prazer
de estar contigo



Trilhas


de cerejas


em nossos corpos


Alimentos
degustados
pouco a pouco
Sinto
tua sede
e me alucino...



Somos cálice
iguarias
somos loucos
Bêbados
de paixão
e Maraschino...


 (Mel) Britto


vinho.jpg     SOU UVA DOCE


    Ainda menina, pendurada na parreira
    Na vinheda, nas sombras do tempo
    Sentia-me uva doce derramando prazeres
               Nos cálices brilhantes que embriagavam os amantes
             Abraços e beijos que dava sem pressa e sem tempo
     Adocicava os prazeres da paixão e luxúria
      Sentia-me a uva doce, lambida e espremida
     Na vinha da vida de menina, saia levantada
        No vento e no tempo esparramando vinho
     No meu corpo, encharcando minha pele
     Sabor de uva doce, uva menina sabor mel
     Chuva adubando o sagrado vinho do amor
  No meu corpo de mulher.


Rose Mary Sadalla


</basefont>O pêssegoBPE0094.jpg


Por si só, como fruto,
não sugere seu sabor.
Para mim que desfruto
de sua forma, sua cor,
e com mão aliciante
sinto a polpa veludosa,
não penso no gosto diante
da penugem de tons rosa.
De repente, perplexo,
vejo um ventre de mulher:
sua vulva, o morno sexo
que está a se oferecer.
O pêlo da pele beijo,
mordo a carne sumarenta,
se me acende um desejo
que não se dessedenta.
A fome da minha língua
agora está saciada,
a do desejo não míngua,
tem que ser adiada.


LUÍS CARLOS GUIMARÃES



Limõesbxp28638.jpg


"0 que eu sonho noite e dia,
O que me dá poesia
E me torna a vida bela,
O que num brando roçar
Faz meu peito se agitar,
E o teu seio, donzela!

Oh! quem pintara o cetim
Desses limões de marfim,
Os leves cerúleos veios
Na brancura deslumbrante
E o tremido de teus seios?

Ouando os vejo, de paixão
Sinto pruridos na mão
De os apalpar e conter...
Sorriste do meu desejo?
Loucura! bastava um beijo

Para neles se morrer!"


Malva-maçãFPE0062.jpg


De teus seios tão mimosos
quem gozasse o talismã!
Quem ali deitasse a fronte
cheia de amoroso afã!
E quem nele respirasse
a tua malva-maçã!

Dá-me essa folha cheirosa
que treine no seio teu!
Dá-me a folha... hei de beijá-la
sedenta no lábio meu!
Não vês que o calor do seio
tua malva emurcheceu...

A pobrezinha em teu colo
tantos amores gozou,
viveu em tanto perfume
que de enlevos expirou!
Quem pudesse no teu seio
morrer como ela murchou!

Teu cabelo me inebria,
teu ardente olhar seduz;
a flor dos teus olhos negros
de tua alma raia à luz,
e sinto nos lábios teus
fogo do céu que transluz!

O teu seio que estremece
enlaguece-me de gozo.
Há um quê de tão suave
no colo voluptuoso,
que num trêmulo delíquio
faz-me sonhar venturoso!

Descansar nesses teus braços
fora angélica ventura:
fora morrer – nos teus lábios
aspirar tua alma pura!
Fora ser Deus dar-te um beijo
na divina formosura!

Mas o que eu peço, donzela,
meus amores, não é tanto!
Basta-me afolha do seio
para que eu viva no encanto,
e em noites enamoradas
eu verta amoroso pranto!

Oh! virgem dos meus amores,
dá-me essa folha singela!
Quero sentir teu perfume
nos doces aromas dela...
E nessa malva-maçã
sonhar teu seio, donzela!

Uma folha assim perdida
de um seio virgem no afã
acorda ignotas doçuras
com divino talismã!
Dá-me do seio esta folha
– a tua malva-maçã!

Quero apertá-la a meu peito
e beijá-la com ternura...
Dormir com ela nos lábios
desse aroma na frescura...
Beijando-a sonhar contigo
e desmaiar de ventura!

A folha que tens no seio
de joelhos pedirei...
Se posso viver sem ela
não o creio!... Oh, eu não sei!...
Dá-ma pelo amor de Deus,
que sem ela morrerei.

Pelas estrelas da noite,
pelas brisas da manhã,
por teus amores mais puros,
pelo amor de tua irmã,
dá-me essa folha cheirosa
– a tua malva-maçã
!


Álvares de Azevedo


Figos Cheiosbxp32319.jpg


As 250 grs de amêndoa é moída. Junta-se-lhe o açúcar (125 grs de açúcar), o chocolate (25 grs de chocolate em pó), a canela, a erva-doce (2,5 grs de erva doce), a raspa de limão e mistura-se tudo muito bem.
Pega-se nos figos, 1 Kg,  e puxa-se o pé de modo que fiquem com uma forma alongada.
Com uma faca afiada dá-se-lhes um golpe vertical. Por esta abertura enchem-se os figos.
Fecham-se e disfarçam-se por onde foram recheados.
Levam-se ao forno a torrar.
Depois embrulham-se em papel de cristal branco franjado. Armam-se como as réstias de alhos.


Retorno de Saturno1595065.jpg  


Saturno veio colher as romãs


brasas no pomar


Vivo nua pela casa


leio cartas, fecho as portas


Saturno me espia pelas frestas


me sussura nomes feios


vivo cheia de varais


lampiões e pássaros acessos


Parece que estou esticada entre dois abismos


entre dois homens


entre dois vendavais


Abro a janela


encaro o deus


me vejo nos seus olhos


me vejo dentro dele


Quando é que esses olhos irão


Pablo Capristanho


SS09071.jpg


Erotika

De manhã
seus seios brancos
chamaram
as aréolas girando
duas pêras quentes
flambadas
em minha
saliva atômica

Minha mão
qual aranha malformada
escorregou até
sua teia negra
e encheu de água
a caverna ao sul

então o vale entre
as colinas arrebitadas
recebeu o aríete
e viu-se inundado
de lava-seiva.

De manhã.


publicado por vagueando às 19:42
link do post | favorito
De Anónimo a 12 de Janeiro de 2006 às 19:40
Deixaste uma poesia em meu blog e vim deliciar-me com tuas palavras. Maravilhosa forma de poetar. Grande abraçoClarice
(http://www.identidadeperdida.blogger.com.br/)
(mailto:claetlis@gmail.com)


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