Domingo, 24 de Julho de 2005

Enxerto de Mónica.......

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Mónica gostava que lhe metessem as mãos entre as pernas enquanto ainda estava vestida: os dedos a afastarem a seda das meias, a tentarem alargar o cinto de ligas, a deslizaram na pele macia das coxas, a insinuarem-se já pelo caminho dos pêlos até à humidade quente dos lábios grossos, salientes e largos da vagina, onde sentia pulsar um perturbante coração fechado.
Ou uma boca cheia de sede.
Deixava que as pernas subissem, os pés roçando os ombros, mas primeiro como se hesitassem, numa espécie de abraço em torno do pescoço; depois desciam de novo até aos ombros, abertas. Oferecendo-se, enquanto Pedro começava a lamber-lhe, ao de leve, as virilhas com o seu cheiro a fruto; um pequeno suor salgado a insinuar-se por dentro da saliva, dissolvendo-se na língua. E o sussurro, o gemido, eram tão baixos que ninguém saberia determinar de qual dos dois partiam.
Assim, vestidos.
Desde o princípio, como gostava, logo depois de chegarem ao quarto da pensa pobre para onde ele a arrastava, ambos de respiração suspensa, subindo depressa os degraus da escada nauseabunda, penumbrosa, madeira lascada, gasta pelo tempo. Pedro excitado, parava a meio para se esfregar nela, e Mónica quase gritava de gozo, pelo prazer que isso despertava nela, curvada sobre o intenso cheiro almiscarado que o pescoço dele guardava, odor a cortar-lhe a respiração, entontecida e sôfrega.
«Não me quero vir jᅻ, murmurava ele a morder-lhe os pulsos febris, breves, algemados pelos seus dedos à parede esburacada. E continuavam subindo a escada, sem fôlego, até ao último andar, patamar onde aparecia uma mulher gorda e pintada, que nas primeiras vezes lhe perguntou a idade - «por causa da polícia…», explicou; mas que nos meses seguintes se limitava a conduzi-los, sem palavras, até ao quarto que lhes alugava, quase vazio. Uma cama, uma cadeira, um candeeiro e um espelho chegavam-lhes durante as horas que ali passavam, nas quais só queriam beber-se, devorar-se um ao outro, misturando os sucos, o cuspo, o prazer, partilhando a posse.
[…]
Maria Teresa Horta; excerto de Mónica, in Intimidades, Março de 2005, Publicações D. Quixote
publicado por vagueando às 18:01
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3 comentários:
De Anónimo a 25 de Novembro de 2005 às 13:27
Fascinante como sempre...
rsrsrs
Sensual tbm ...
eheheh

Despertas-t a minha leitura por teus artigos sedutores, atrevidos, mas exitantes
rsrsrs

Continua assim a catirvar cibernautas á procura d prazer de sua mente!!

1 Abrasso...nls
(http://nls.blogs.sapo.pt/)
(mailto:noslenavlis@sapo.pt)


De Anónimo a 21 de Agosto de 2005 às 23:49
C M A N U E L... Poderia simplesmente escrever, sem comentários. Pois os olhos lêem o que a alma mostra. E tudo o que lí, só posso dizer que é SENSACIONAL... Sabe é muito difícil falar para alguém como você. Mas ainda digo: Que bom que não temos tudo.Só assim nos animaremos a lutar pelo que nos falta.
É realmente bom que não saibamos tudo. Se soubéssemos não teríamos a felicidade de aumentar o pouco que sabenos.
É bom que tenhamos defeiros. Se não os tivéssemos não compreenderíamos as faltas de nossos semelhantes.
Fascina-nos saber que não acertamos sempre, porque podemos merecer o ensinamento, e é belo que não erremos tanto, porque podemos merecer que nos acreditem e que confiem em nós.
E para finalizar... "Me ame quando eu menos merecer...Pois é quando eu mais preciso."
LenyLeny
(http://hotmail.com)
(mailto:lilyrj1@hotmail.com)


De Anónimo a 28 de Julho de 2005 às 19:16
Adorei, ficou a curiosidade de ler o resto mas também a esperança de que tudo lhes aconteça de bom. Obrigada por me dares este bocadinho. BeijoCarmo
(http://hotmail)
(mailto:carmoroby@hotmail.com)


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