Segunda-feira, 31 de Outubro de 2005

Rosa Pálida

rora.gif

Rosa Pálida
em meu seio
Vem querida, sem receio
Esconder a aflita cor.
Ai! a minha pobre rosa!
Cuida que é menos formosa
Porque desbotou de amor.Pois sim...quando livre, ao vento,
Solta de alma e pensamento,
Forte de tua isenção,
Tinhas na folha incendida
O sangue, o calor e a vida
Que ora tens no coração,
Mas não era, não, mais bela,
Coitada, coitada dela,
A minha rosa gentil!
Curvam-na então desejos,
Desmaiam-na agora os beijos...
Vales mais mil vezes, mil.
Inveja das outras flores!
Inveja de quê, amores?
Tu, que vieste dos céus,
Comparar tua beleza
Às folhas da natureza!
Rosa, não tentes a Deus.
É vergonha...de quê, vida?
Vergonha de ser querida,
Vergonha de ser feliz!
Porquê? Porquê em teu semblante
A pálida cor da amante
A minha ventura diz?
Pois, quando eras tão vermelha
Não vinha zângão e abelha
Em torno de ti zumbir?
Não ouvias entre as flores
Histórias de mil amores
Que não tinhas, repetir?
Que hão-de eles dizer agora?
Que pendente e de quem chora
É o teu lânguido olhar?
Que a tez fina e delicada
Foi de ser muito beijada,
Que te veio a desbotar?
Deixa-os: pálida ou corada,
Ou isenta ou namorada,
Que brilhe no prado flor,
Que fulja no céu estrela,
Ainda é ditosa e bela
Se lhe dão só um amor.
Ai! deixa-os e no meu seio
Vem, querida, sem receio,
Vem a frente reclinar.
Que pálida estás, que linda!
Oh! quanto mais te amo ainda
Dês que te fiz desbotar.


Almeida Garrett (1799 - 1854)

publicado por vagueando às 21:44
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Domingo, 30 de Outubro de 2005

a HORA do AMOR

50430_wallpaper280.jpg

Essa é a hora da linguagem do corpo, da pele, da química, da loucura que habita em nós...
E que linguagem perfeita!
Corpos que pedem... abraça-me!
Bocas ávidas que dizem... vem!
Beija-me, sente o meu gosto!
Mãos que tacteiam, exploram e perguntam.... onde encontro o seu prazer?
Línguas que percorrem e clamam.... dá-me o teu melhor sabor!
Esse é o momento que palavras são somente complemento... momento em que a pele arrepia e sussurra...
toca-me, acaricia-me...
seios que dizem... beija-me, me rodeie com a sua língua, me morda leve...
fendas humedecem e pedem... entra , descobre-me, explora-me, conheça-me... membros que enrijecem e falam... me incendeie com a sua boca, saboreie-me com a sua língua!
Nesse instante perdemos o domínio da razão e somos corpos bailando ...
Pernas se abrem trémulas convidando o outro para dançarem juntos... outras se encaixam aceitando o convite...
E começa uma dança lenta, de ritmo perfeito, que não precisa ser aprendida...
É puro instinto... O ritmo da música aumenta pois os corpos precisam desesperadamente saciar-se...
a dança se torna frenética, a respiração entrecortada...
e das entranhas dos corpos saem gemidos, gritos, sons próprios de cada um...
E, enfim, a explosão, os espasmos ,os corpos latejando, arfando...
e depois a súplica.... continuem unidos!
Permaneçam abraçados e deixam-se saboreando o prazer ... ainda mais.
Esperam descansando juntos e, quem sabe, começarem tudo novamente!


*de Mim para Ti (é isso tudo)
publicado por vagueando às 16:43
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Sábado, 29 de Outubro de 2005

A noite na ilha

13600_wallpaper280.jpg
Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.

Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita,
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.

O teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda não existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
– pão, vinho, amor e cólera –
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.

Dormi contigo
toda a noite enquanto
a terra escura gira
com os vivos e os mortos,
e ao acordar de repente
no meio da sombra
o meu braço cingia a tua cintura.
Nem a noite nem o sono
puderam separar-nos.

Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,
saída do teu sono,
trouxe-me o sabor da terra,
da água do mar, das algas,
do âmago da tua vida,
e recebi teu beijo,
molhado pela aurora,
como se me viesse
do mar que nos cerca.

Pablo Neruda *para Ti (é isso tudo)

publicado por vagueando às 19:59
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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2005

Atração

116.jpg
Atração Que mistério é esse
Que surge de repente
E através da distância...
Sem tocar... sem conhecer
Toma conta da gente?
Subjuga e escraviza
Nossa alma...
Nossa mente...
Liberando sentimentos
Desencadeando desejos
Quase sempre contidos...
Muitas vezes reprimidos
Que vêm à tona
Corrompendo princípios
Desordenando pensamentos.
Ah!!! Essa atração!
Pegou-me desprevenida...
Abriu-me a janela dos sonhos...
Que há muito estava fechada...
Devolveu-me ilusões
Há tanto tempo perdidas.
Libertou-me da indiferença...
Renovou-me a confiança...
No amor e na esperança!
Mesmo sendo insensatez...
Modo louco de querer...
Sou feliz nessa fantasia...
Nesse sonho diferente
De toques...
Abraços e beijos
Que despertam o desejo...
Que conduzem ao êxtase...
Ao delírio do prazer!

Autor: Vyrena * para Ti (é isso tudo)
publicado por vagueando às 14:02
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Sábado, 22 de Outubro de 2005

“Elegância”

adam.jpg
Não há caminho novo.
O que há de novo é o jeito de caminhar.

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, seja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correcto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe do mexerico, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigirem aos seus interlocutores.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece; é quem presenteia fora das datas festivas; é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro. É muito elegante não falar de dinheiro em conversas informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade.

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que interponde de status social: é só pedir licença para o nosso lado desleixado, que acha que com amigo não tem que haver estas “frescuras". Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.

Educação enferruja por falta de uso.

E detalhe, não é snobismo: é a elegância do comportamento.

“Henri de Toulouse-Lautrec” (1864-1901) pintor e litógrafo francês
publicado por vagueando às 12:02
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005

Pequena Ode

CAGMCPGR.jpg
Pequena Ode

À flor dos dias, teu sorriso
desce sobre a planície como chuva habitada
por um sol interior. Nada mais é preciso
para sermos, de novo, só Amado e Amada.

Nada mais é preciso? Uma rosa, talvez:
uma corola aberta na paisagem vazia,
polvilhando de cor o rústico entremez
de que somos actores
apenas por um dia.

Ó mar de sonhos e grades!
(Teu sorriso promete uma evasão sempre adiada).
Ó mar da quietação, ó glauco espelho liso!
Somos dois, outra vez, na praia desolada.

*para Ti
publicado por vagueando às 09:41
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Femina

113.jpg
Não lavei os seios
pois tinham o calor
da tua mão.

Não lavei as mãos
pois tinham os sons
do teu corpo.

Não lavei o corpo
pois tinha os rastros
dos teus gestos;
tinha também, o meu corpo
a sagrada profanação
do teu olhar
que não lavei.

Nem aqueles lençóis,
não os lavei,
nem os espelhos
que continuam
onde sempre estiveram:
porque eles nos viram
cúmplices, e a paixão,
no paraíso,
parece que era.

Lavei, sim,
lavei e perfumei
a alma, em jasmim,
que é tua, só tua,
para te esperar
como se nunca tivesses ido
a nenhum lugar:

donde apaguei
todas as ausências
que apaguei
ao teu olhar

Soares Feitosa

publicado por vagueando às 09:24
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Palavra


há um tempo
em que a palavra sai
sorri
serena
sobraçando a esperança
...e é criança

há um tempo
em que a palavra é
leve
doce
e solta das amarras que não quer
...e é mulher

há um tempo
em que a palavra dói
e é chibata
e arma
e tiro
....e mata

e se há um tempo
em que a palavra
se cansa da luta
e nas noites de vergonha
se vende e se faz puta
.....regressa sempre a tempo
lavada e pura
arrependida e dura
parindo a liberdade renascida
iluminando a luz
...e dando vida à vida.

(Não conheço o autor)

publicado por vagueando às 09:19
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Porque hoje fui a Viana..................

R1_24.jpg
Viana é tradição
Um mundo de sensações
Eterna lembrança

Havemos de ir a Viana

Entre sombras misteriosas
em rompendo ao longe estrelas
trocaremos nossas rosas
para depois esquecê-las.
Se o meu sangue não me engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Viana
ó meu amor de algum dia
ó meu amor de algum dia
havemos de ir a Viana
se o meu sangue não me engana
havemos de ir a Viana.
Partamos de flor ao peito
que o amor é como o vento
quem pára perde-lhe o jeito
e morre a todo o momento.
Se o meu sangue não me engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Viana
ó meu amor de algum dia
ó meu amor de algum dia
havemos de ir a Viana
se o meu sangue não me engana
havemos de ir a Viana.
Ciganos, verdes ciganos
deixai-me com esta crença
os pecados têm vinte anos
os remorços têm oitenta.
Pedro Homem de Melo

O arroz de lampreia, o sarrabulho, o bacalhau à Gil Eannes, o bacalhau à Margarida da Praça.
O Vinho Verde.
O arroz doce, o leite creme, a torta de Viana, ou a

Sopa dourada à moda de Viana do Castelo
Leva-se o 750 g açúcar ao lume com 3 dl de água e deixa-se ferver até obter ponto de cabelo (106ºc).
Corta-se o pão-de-ló 300 g em fatias grossas, que se passam pela calda de açúcar e se colocam numa travessa, louça de Viana, cuidadosamente e com ajuda de uma escumadeira.
Adiciona-se um pouco de água à calda e deixa-se ferver até ponto de pérola (108ºc).
Adiciona-se um pouco de calda às 15 gemas de ovo , apenas cortadas com uma faca e junta-se à restante calda.
Leva-se ao lume a engrossar, ficando com a consistência de ovos-moles.
Deitam-se estes ovos-moles sobre as fatias de pão-de-ló e polvilha-se tudo com canela.


Voltarei sempre a Viana..........................
publicado por vagueando às 00:32
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Terça-feira, 18 de Outubro de 2005

Lulas gratinadas …….. à minha moda

Prepara-se as lulas e cortam-se às rodelas.


Descasque cenouras, três cenouras por kilo de lulas e rale-as bem finas.


 Numa panela com azeite pique cebola e meia por kilo de lulas, as cenouras raladas, um dente de alho, uma folha de louro e um tronco de aipo (tamanho da folha de louro), um piri-piri esmigalhado e sal marinho q.b..


Aloire uns 15min.


Retire a folha de louro e pique/moa a mistura de forma a ficar um creme, junte as lulas.


Deixe guizar até as lulas estiverem cozidas.


 À parte, numa malga junte natas, um pacote ou dois de acordo com a quantidade de lulas feitas, uma colher sobremesa de farinha sem fermento, nós moscada, e acerte o sal e o picante.


Junte este creme às lulas e misture, mexendo bem.


Coloque numa pingadeira de barro e por cima polvilhe com queijo ralado.


Vai ao forno a gratinar.


Nota: se juntar alguns camarões terá a receita mais requintada.


Poderá acompanhar com arroz branco ou puré de batata.


Não esquecer o vinho, tinto ou branco.


Sirvam-se um ao outro, com ternura, carinho, olhando-se…………………….


Saboreiem…………………………..Degustem…………………………-se

publicado por vagueando às 14:35
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