Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005

Femina

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Não lavei os seios
pois tinham o calor
da tua mão.

Não lavei as mãos
pois tinham os sons
do teu corpo.

Não lavei o corpo
pois tinha os rastros
dos teus gestos;
tinha também, o meu corpo
a sagrada profanação
do teu olhar
que não lavei.

Nem aqueles lençóis,
não os lavei,
nem os espelhos
que continuam
onde sempre estiveram:
porque eles nos viram
cúmplices, e a paixão,
no paraíso,
parece que era.

Lavei, sim,
lavei e perfumei
a alma, em jasmim,
que é tua, só tua,
para te esperar
como se nunca tivesses ido
a nenhum lugar:

donde apaguei
todas as ausências
que apaguei
ao teu olhar

Soares Feitosa

publicado por vagueando às 09:24
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6 comentários:
De Anónimo a 23 de Outubro de 2005 às 03:31
Feitosa tem razão, ele sabe.
Lavar seria profanar. Não se lava o que é puro e Deus criou.Guarda o perfume do teu amor e espalha-o no infinito!O teu Anjo da Guarda,baterá as suas asas e espalhá-lo-á sobre o que é terreno e no chão que pisas. fernanda
</a>
(mailto:fernandaragonez@hotmail.com)


De Anónimo a 22 de Outubro de 2005 às 23:29
Um dos poemas mais belos de Feitosa. Gostei de o (re)ler aqui. Bj ;)Menina_marota
(http://meninamarota.blogspot.com/)
(mailto:Menina_marota@sapo.pt)


De Anónimo a 21 de Outubro de 2005 às 11:44
Bonita poesia.PDivulg
(http://lacosazuis.blogs.sapo.pt)
(mailto:pdivulg@sapo.pt)


De Anónimo a 20 de Outubro de 2005 às 19:28
Quando se ama não se pode ser Pilatos! BeijoMaria Papoila
(http://apapoila.blogs.sapo.pt)
(mailto:msantosilva@sapo.pt)


De Anónimo a 20 de Outubro de 2005 às 18:27
As marcas do amor não se lavam, ficam na alma, invadindo-a suavemente! Beijoeu
</a>
(mailto:carmoroby@hotmail.com)


De Anónimo a 20 de Outubro de 2005 às 09:31
REsumindo: não tomaste banho mesmo! GANDA PERFUME deve haver por essas bandas!...hi.hi.hiintemporal
(http://intemporal.blogs.sapo.pt)
(mailto:intemporal@sapo.pt)


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